Pano branco / Micose de praia

                                         http://www.dermatologia.net/novo/base/doencas/pitiversi.shtml

     Uma doença muito comum no mundo é a Pitiríase versicolor, mais conhecida como "pano branco" ou ainda como "micose de praia". Trata-se de uma micose causada por fungos, principalmente do gênero Malassezia, que existem até mesmo na pele normal e causam problemas apenas em ocasiões específicas (como em momentos de baixa imunidade, após um tratamento com antibióticos, na ausência de higiene ou devido à má nutrição). Perceberam que não citei a praia? Pois é, o termo "micose de praia" é totalmente equivocado, pois uma coisa nada tem a ver com a outra.
     Há duas características básicas dessa doença: A primeira é o aparecimento de manchas esbranquiçadas (com menos frequência as manchas podem ser escuras/avermelhadas), de tamanho variável. São indolores e raramente causam prurido (coceira). Afetam quase sempre a parte superior do corpo (acima do umbigo), principalmente os locais onde a pele é mais oleosa, pois esse fungo produz uma proteína que degrada essa proteção de gordura do nosso corpo. A segunda é a descamação que surge quando se faz um estiramento da pele afetada (é uma ótima forma de diferenciar essa doença de tantas outras).
     O motivo da criação da expressão "pano branco" é evidente: devido às manchas geralmente esbranquiçadas. Mas se o problema não está associado à praia, por que dizem "micose de praia"? O que acontece é o seguinte: quando a pessoa com essa micose toma sol, as manchas tornam-se evidentes, pois esse microorganismo tem a capacidade de impedir a produção de melanina (que é o pigmento que dá cor à nossa pele). Há também o fato de as escamas da lesão (às vezes não perceptíveis), com a ação da luz solar, ficarem esbranquiçadas, além de dificultarem a passagem da luz e, consequentemente, a formação da melanina. Dessa forma, onde há incidência de sol e não tem o fungo, aumenta a produção desse pigmento, tornando a pele mais escura. Nos pontos onde há Malassezia, a produção de melanina não acontece, evidenciando as manchas brancas. Ou seja, o sol não causa o problema, apenas mostra algo que já está na pele!
     Geralmente as pessoas procuram um dermatologista apenas por motivos estéticos, pois como vimos, não dói e quase sempre não coça. Porém, em pessoas imunodeficientes, esse quadro pode se agravar e causar um problema disseminado no organismo (o que é raro). Vale destacar que o diagnóstico e o tratamento é de responsabilidade do médico, que deve descartar a possibilidade de outras doenças com aparência semelhante, como a pitiríase alba, e só então montar um projeto terapêutico que melhor se adapte ao paciente.
     O tratamento é simples e os medicamento utilizados são antifúngicos apropriados (Cetoconazol, Itraconazol ou Sulfeto de Selênio), geralmente de uso tópico (em casos mais graves ou em áreas muito extensas pode ser prescrito algum por via oral). O mais comum é o banho diário com shampoo de sulfeto de selênio, de 2,5 a 5%. O Cetoconazol (2%) creme também é muito prescrito. Normalmente 15 dias de tratamento é suficiente, mas muitas vezes um tempo muito maior é necessário. Seja qual for o medicamento, o ideal é que antes da aplicação seja usado um agente esfoliante (como uma escova, uma bucha mais áspera ou até mesmo um creme esfoliante não agressivo), que retira a descamação e melhora a absorção do medicamento. Algumas pessoas tem muitas recidivas (a doença vai e volta), sendo indicada quase sempre a estas o uso de shampoo antifúngico (em concentração adequada, comprado ou manipulado em farmácias) uma vez na semana. Algumas plantas medicinais (como Aloe vera/babosa,  Eucalyptus globulus/eucalipto, Vismia guianensis/pau-de-lacre) e produtos à base desses vegetais também parecem ter um efeito satisfatório na prevenção (e às vezes no tratamento, geralmente de forma complementar) desta doença.
     Os medicamentos por via oral somente devem ser usados após avaliação médica do risco-benefício. Essa forma de tratamento não deve durar mais do que poucos dias (Cetoconazol - 10 dias; Itraconazol - 7 dias; Fluconazol - 1 vez na semana, por 3 semanas). O uso desnecessário ou inadequado desses medicamentos pode causar grandes danos ao fígado.
Atenção: O blog Saúde a Fundo tem apenas caráter informativo em relação às doenças. Jamais utilize essas informações como forma de substituir uma avaliação médica, pois apenas o médico poderá realizar um correto diagnóstico e um tratamento específico para cada caso. Não se automedique. É muito perigoso para a sua saúde!
    

Autor: Wésley de Sousa Câmara

Referência:

CARVALHAES, Jeferson. Micologia Médica. Rio de Janeiro, 1999.