Ascaridíase (Lombriga)


      Ascaridíase é uma doença conhecida também como lombriga ou bicha e é causada por um verme cilíndrico, chamado Ascaris lumbricoides. Esse verme tem sexo definido, ou seja, existem machos (que podem chegar a 30 cm de comprimento) e fêmeas (que chegam a 40 cm). Há relatos de que uma outra espécie (Ascaris suum), que causa a doença em suínos, pode também infectar o homem.
     Esse parasita está presente em quase todos os países do mundo, principalmente nas regiões mais quentes e mais pobres.  Infecta homens e mulheres, em qualquer idade, porém as crianças são, com certeza, as mais atingidas.
    A lombriga pode viver de 1 a 2 anos (em condições apropriadas) e cada fêmea pode colocar 200 mil ovos por dia! Esses ovos podem ficar viáveis no ambiente por cerca de 4 anos. Esse é um dos motivos dessa doença ser tão prevalente no mundo.

TRANSMISSÃO
     Através da ingestão de água ou alimentos contaminados com ovos da lombriga. Pode também ocorrer a transmissão por objetos ou pelas mãos, quando são colocadas na boca. Durante o ciclo de vida desse verme (ainda no estágio larval), há uma fase em que ele passa pelo aparelho respiratório. Assim, nesse período, pode ocorrer transmissão através de contato de outras pessoas com essas secreções (Ex: beijo; se o infectado tossir ou espirrar sobre algum alimento). Insetos (moscas, mosquitos e formigas) também podem carregar os ovos e contaminar alimentos. Por último, vale dizer que uma gestante infectada pode transmitir as larvas para o bebê, pois as mesmas passam pela placenta (mas a criança apenas desenvolverá a doença após o nascimento). Transfusões de sangue não são veículos de transmissão, pois os ovos geralmente ficam retidos na agulha, além de o processo de armazenagem do sangue não permitir a sobrevivência deles por muito tempo.

SINAIS E SINTOMAS
     As larvas saem dos ovos no intestino delgado e atingem vários órgãos durante sua vida. Quando adultas, permanecem no intestino. Dessa forma, vários sintomas podem ocorrer, principalmente os relacionados ao sistema gastrointestinal. Estima-se que 30% da população mundial esteja infectada, portanto, a maior parte não apresenta nenhum sintoma. Quando há mais de 10 vermes no intestino (esse número pode chegar a 200), surgem problemas, tais como:
- Febre; inflamação intestinal que leva à diarréia com muco e sem sangue; cólicas intestinais; má digestão; emagrecimento e anemia (pois o verme consome parte dos nutrientes ingeridos); obstrução intestinal (principalmente em crianças); tosse; aumento na produção de muco nasal; pneumonia parasitária e crises asmáticas. A obstrução e essas complicações respiratórias só acontecem se o número de parasitas for muito elevado. No caso da “asma” e da pneumonia, esses problemas desaparecem assim que se elimina o parasita. Quem nunca ouviu alguém dizer: “Ah, meu filhinho tinha asma, mas depois que nos mudamos, ele sarou”? Pode ser que o que essa criança tinha não era asma verdadeira e sim, lombriga! Se ela morava em uma área onde essa doença é comum, essas crises poderiam ser provocadas pelas larvas presentes no aparelho respiratório da criança. Quando se mudou, não teve mais ascaridíase e a “asma” desapareceu.
     Quanto às lombrigas saírem pela boca ou pelo nariz, realmente pode acontecer. Elas ficam no intestino delgado do doente, mas eventualmente podem voltar para o estômago e provocar vômitos. Nessas ocasiões, os vermes podem sair por diversos orifícios, como a boca, o nariz e até as orelhas (o que é raro), rompendo o tímpano. Se uma pessoa com lombriga morrer, a tendência é que, devido à queda na temperatura corporal, os vermes comecem a sair pelos
mesmos orifícios, além do ânus. 

DIAGNÓSTICO
    O médico analisará os sintomas descritos pela pessoa e poderá pedir alguns exames laboratoriais. O principal é o exame parasitológico de fezes, mas em alguns casos são necessárias análises sanguíneas (pesquisa de anticorpos) ou de secreções respiratórias (quando há pneumonia, por exemplo). Em casos de suspeita de obstrução intestinal, pode ser necessário um Raio-X abdominal.
   
TRATAMENTO
     O mais comum é a utilização de Albendazol, Mebendazol ou Ivermectina (gestantes não podem tomá-los), Levamizol ou Citrato de Piperazina (associada a outros compostos), em casos de obstrução intestinal. Em gestantes, geralmente o médico decide usar o Pamoato de Pirantel, por ser mais seguro. Dependendo do medicamento, após cerca de 20 dias é necessária uma nova dose para exterminar eventuais parasitas sobreviventes.
     O tratamento para a ascaridíase é simples, exceto nos casos em que já houve complicações, porém SEMPRE deve ser acompanhado por um médico, já que alguns desses medicamentos (principalmente os que possuem nomes terminados em "zol") “matam os vermes aos poucos”, o que facilita a entrada deles em cavidades internas do corpo, como apêndice, ducto pancreático e vesícula biliar, gerando inflamação nesses locais, o que traz sérios problemas, muitas vezes com necessidade de cirurgia.
     Vale destacar ainda que já existem relatos de resistência do microorganismo a medicamentos, o que aumenta ainda mais a importância de um correto acompanhamento médico. Outro ponto importante: Não basta tratar. Deve-se também pesquisar a possível origem da infecção para evitar novos contágios.
Atenção: O blog Saúde a fundo tem apenas caráter informativo em relação às doenças. Jamais utilize essas informações como forma de substituir uma avaliação médica, pois apenas o médico poderá realizar um correto diagnóstico e um tratamento específico para cada caso. Jamais se automedique. É muito perigoso para a sua saúde!

PREVENÇÃO - PROFILAXIA
- Os tratamentos tradicionais de esgotos não eliminam os ovos da lombriga. Portanto, vão parar nos rios, o que aumenta a importância de consumir água bem tratada, filtrada ou fervida.
- O congelamento não mata os ovos, assim, deve-se cozinhar ou lavar muito bem os alimentos congelados!
- Higiene pessoal (lavar sempre as mãos e não colocá-las na boca).
- Lavar bem as frutas, verduras e legumes.
- Evitar o consumo de alimentos tratados com estercos animais.
- Tratar os doentes, evitando que eles contaminem outras pessoas.

Autor: Wésley de Sousa Câmara
 
Referências:
NEVES, David Pereira; Parasitologia Humana. 11ª edição, 2004. Editora Atheneu.
http://www.medicinanet.com.br/conteudos/revisoes/1724/ascaridiase.htm (acessado em 03/06/2011)