A formação de um novo ser

   Você sabe como são formados os bebês ou quanto tempo leva para que surjam as principais estruturas desse “homenzinho” em formação? Vamos aprender de forma didática e resumida (o objetivo deste artigo não é dar uma aula de embriologia) todo o processo de origem de uma nova vida humana. Vale dizer que uma gestação normal tem de 37 a 42 semanas (contadas a partir da última menstruação). Se o bebê nasce antes desse tempo é chamado “pré-termo” (ou prematuro) e após, “pós-termo”.
   Tudo começa com a relação sexual do casal, mais precisamente quando o homem ejacula na vagina da mulher. No esperma (líquido esbranquiçado, composto principalmente por secreções da próstata, das vesículas seminais e por espermatozoides), também chamado de sêmen, há proteínas que coagulam logo após a ejaculação, tornando-o mais pegajoso e dificultando que os espermatozoides (células sexuais masculinas) retornem para a entrada da vagina. Soma-se a isso a presença de prostaglandinas nesta secreção, que são substâncias que promovem a contração uterina, auxiliando no processo de entrada desses espermatozoides para o útero e para as tubas uterinas. Caso a mulher esteja no período fértil, ou seja, seus ovários tenham liberado pelo menos um óvulo há pouco tempo, poderá ocorrer em uma das tubas o encontro de alguns espermatozoides com esse óvulo. Ocorre então a “fusão” de ambos (chamada “fecundação”) e a célula resultante migra de volta para o útero, enquanto vai se dividindo em um aglomerado de células. Por volta do 7º dia após a fecundação, esse aglomerado de células começa a invadir a parede uterina (endométrio). No final da 1ª semana, o “ovo” está superficialmente implantado no útero.

2ª semana de gestação:
   A implantação na parede do útero está concluída e um pouco mais aprofundada. Inicia a nutrição deste “ovo” pela mãe, mas não ainda por vasos sanguíneos (nesta fase é por glândulas uterinas).

3ª semana de gestação:
   É a época em que deveria ocorrer a menstruação da mulher (que não chega). Essa falta de sangramento menstrual é geralmente o primeiro sinal de gravidez. Quando ocorrem sangramentos, normalmente são pequenos e derivados da lesão uterina causada pela implantação do “embrião”. Ocorre o início da formação do sistema cardiovascular, com o surgimento de um coração primitivo e de uma circulação quase sem importância para a nutrição do novo ser.

4ª à 8ª semana de gestação:
   Nesse período são formados os principais órgão do corpo. O “embrião”, que era achatado, torna-se cilíndrico, em forma de “C”, na 4ª semana. Inicia-se a formação do intestino primitivo e surge o cordão umbilical. O embrião começa a tomar forma humana na medida em que vão se formando cérebro, membros, orelhas, nariz e olhos.
   Na 6ª semana começam a aparecer os dedos (ainda unidos) e as orelhas; os olhos se tornam evidentes; surgem os primeiros reflexos do embrião ao toque.
   Na 7ª semana os membros se desenvolvem, com início da ossificação nos braços. Ao final desta semana quase todos os principais sistemas (digestivo, cardiovascular), já estão formados.
   Na 8ª semana aparecem os primeiros movimentos voluntários dos membros; deixa de ser visível a “cauda” do embrião, que até então era vista (sim, quando surgimos tivemos uma “mini-cauda”).
   Esse período (4ª à 8ª semana) é tido como a fase crítica do desenvolvimento, pois é geralmente nele que surgem as má formações congênitas, quando há exposição a agentes nocivos (cigarro, álcool, alguns medicamentos...). 

Imagem ilustrando a formação e o tamanho proporcional do embrião nos 2 primeiros meses de gestação.
 
9ª semana ao nascimento (período fetal):
   Nesse período, o futuro bebê é menos susceptível a agentes teratogênicos (causadores de má-formações), pois quase todos os órgãos já estão formados e carecem apenas de maturação. Porém, ainda é possível a ocorrência de alguns danos, principalmente
ao seu sistema nervoso.
   Na 9ª semana o embrião (que a partir desta idade passa a ser chamado de “feto”) já tem aparência humana (porém com uma cabeça bem grande, que ficará menos desproporcional com o passar das semanas) e o desenvolvimento dos órgãos está quase completo. No final desta semana a genitália começa a se diferenciar e tem aspecto “maduro” na 12ª semana.
   Da 13ª à 16ª semana ocorre um rápido crescimento corporal.
   Da 17ª à 20ª semana os movimentos do feto tornam-se perceptíveis à mãe; na 20ª semana surgem cabelos e a pele fica coberta por uma secreção protetora.
   Até 22ª ou 24ª semana todos os órgãos já estão desenvolvidos, porém um feto dessa idade só sobreviveria fora do útero em condições especiais, desde que esteja em um centro hospitalar pediátrico de alta complexidade, especializado nesse tipo de cuidado. Mesmo assim a chance de morte seria altíssima, visto que o seu sistema respiratório está completamente imaturo e ele não teria a capacidade de respirar sozinho. Seu sistema nervoso e seus ossos também estão num estágio primário de desenvolvimento e ele também não teria capacidade de se alimentar.
   O tecido adiposo (gordura) do feto (que fornece calor e proteção) é também é precário nessa idade e será desenvolvido nas últimas 6 ou 8 semanas de gestação (a partir da 29ª semana, aproximadamente).
   Com 28 semanas (daqui em diante a idade gestacional será contada, neste artigo, de acordo com o cálculo dos ginecologistas e não, dos embriologistas. Isso porque há uma diferença de duas semanas. Para os embriologistas, essas 28 semanas seriam, na verdade, 26. Explicaremos essa diferença em outra oportunidade) o feto tem de 1,0 a 1,5 Kg e seus pulmões já estão desenvolvidos a ponto de ser possível a sobrevivência fora do útero, porém só alcançará sua plena capacidade entre 37 e 38 semanas, que é a idade gestacional mínima “ideal” para o nascimento do bebê.

   Uma vez formado, acontece o parto e o recém-nascido passará por um processo complicado de adaptação à vida extra-uterina. Mas isso é assunto para um outro artigo.
 
Autor: Wésley de Sousa Câmara

Referências:

REZENDE; Obstetrícia Fundamental; 12ª edição; 2011; Ed. Guanabara Koogan.